terça-feira, 3 de março de 2015

Atributos Pessoais e Desenvolvimento de Carreira

A preocupação das empresas com a retenção de talentos trouxe consigo a exigência de mais estabilidade por parte dos profissionais. Passagens muito curtas por empregos anteriores e sem realizações consistentes denotam que têm pouco comprometimento e resiliência.

Se essas características fazem parte de seu trajeto profissional, é hora de tomar consciência e fazer as coisas que realmente devem ser feitas para impulsionar sua carreira.

Para a American College of Healthcare Executives (Ache), o ciclo de gestão de carreira possui cinco pilares:
1. auto-avaliação e análise das lacunas ou pontos fracos
2.  identificação da posição profissional ideal
3.  planejamento das ações
4. promoção do marketing pessoal
5. realização do balanço anual de sua carreira.


O autoconhecimento é, reconhecidamente, um atributo necessário ao desenvolvimento  da carreira. Como o primeiro e principal responsável por mapear o seu perfil, a você cabe observar até que ponto é arrojado, inovador, proativo, versátil, resiliente, de fácil relacionamento e com capacidade de negociação.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Os Jovens e as Relações de Trabalho

Para os especialistas em RH, as estratégias de gestão de talentos são o maior desafio a ser enfrentado pelos líderes para obterem sucesso em seus negócios. Essa preocupação se justifica, primeiro, porque repor quem sai custa caro. Estima-se que seja necessário um investimento de aproximadamente 150% do salário anual de um empregado de nível médio para arcar com sua reposição, incluindo aí, além dos custos de recrutamento, entrevistas, treinamento, e também – e principalmente – os valores do chamado “capital imaterial”, ou seja, o conhecimento que vai com quem sai.


Segundo, porque mesmo utilizando recursos cada vez mais sofisticados para apresentarem sua oferta de trabalho, as empresas perdem cada vez mais a força de trabalho. Conquistam clientes fiéis, mas as relações de trabalho parecem ainda não contemplar as necessidades das novas gerações.

Com o objetivo de entender o que os jovens querem no ambiente de trabalho e o que os retêm, duas das maiores empresas de auditoria/consultoria globais, PwC (conhecida por “Price”) e Deloitte realizaram pesquisas focadas nessa geração. Os resultados publicados em 2014 evidenciaram sinalizações significativas, especialmente para as empresas interessadas em repensar as relações que mantêm com seus funcionários e estarem, de fato, prontas, até 2025, quando os millennials constituirão 75% da força de trabalho global.    

Não por acaso 96% dos jovens pesquisados valorizam a comunicação pautada na coerência, no diálogo e na transparência, especialmente sobre seu desempenho e possibilidades de crescimento e reconhecimento; querem trabalhar para organizações que apoiam a inovação, embora a maioria enfatize que seu atual empregador não os incentiva a pensar de forma criativa. Quanto à formação de lideranças futuras, 75% acreditam que suas organizações poderiam fazer mais para desenvolver futuros líderes. O incentivo à criatividade, inovação e a formação de líderes para o futuro estão, portanto, em suas agendas, de forma lógica e racional

O estudo confirmou que o equilíbrio entre vida e trabalho é um dos pilares mais significativos para a retenção de funcionários e uma das principais razões para esta geração de funcionários escolher um plano de carreira profissional, não tradicional. Para eles, o equilíbrio entre vida e trabalho é ponto inegociável. Todos querem que o horário e o trabalho sejam flexíveis, e a produtividade não deve ser medida pelo número de horas trabalhadas mas pelos resultados entregues. O trabalho não é considerado um “lugar” e sim “algo”, e a cultura no ambiente de trabalho deve ser orientada para a formação e coesão das equipes.

Tais dados refletem, indiscutivelmente, a necessidade de mudanças nas relações de trabalho. Talvez se possa começar seguindo a mesma lógica das mudanças que ocorreram nas formas de produção, e, principalmente, nas formas de valoração daquilo que é produzido. Hoje, toda a subjetividade vinculada à marca de uma empresa é valorizada pelos consumidores, não mais exclusivamente o benefício funcional dos seus produtos. 

As relações de trabalho pressupõem sempre perenidade. Ao ingressar em uma empresa, o funcionário inicia um relacionamento, que, como qualquer outro, está sujeito ao cruzamento de expectativas e necessidades. De um lado, a empresa tem necessidades objetivas, enquanto o funcionário demonstra necessidades subjetivas que vão muito além do dinheiro.

O alinhamento dessas expectativas e necessidades da empresa e de seus funcionários só se dá por meio de uma comunicação baseada na coerência. Sem ela, qualquer esforço de comunicação corre o risco de virar propaganda enganosa e, por conseguinte, aumentar o turnover.


Ou seja, para conquistar notoriedade e prestígio, capital mais importante para as organizações contemporâneas, é preciso constituir, de fato, relações de trabalho saudáveis para contar com pessoas competentes e criativas. É preciso, acima de tudo, retenção de talentos pela gestão e comunicação estratégicas que atendam as necessidades de bem-estar de todos no ambiente de trabalho. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Os antecedentes da falta de preparo profissional

*Por Alzira J. M. Almeida

A rigor, seria desnecessário repetir que em um mundo cada vez mais tecnológico e competitivo, o conhecimento é um dos pilares do sucesso, não fossem poucas as  oportunidades que temos de visualizar os resultados conjuntos do desempenho do Brasil, em especial no que se refere à educação escolar e à produtividade.

É preciso estar atentos e refletir, sempre que possível, sobre a baixa capacitação profissional e como ela afeta os negócios e o desenvolvimento econômico. 
Vamos aos números:

a) educação: o Brasil está em 35º lugar entre 37 países. Do total de alunos que completa o ensino médio todos os anos, somente um terço domina as habilidades de língua portuguesa em nível satisfatório e 10% os conceitos básicos matemáticos, o que influencia fortemente no preparo dos trabalhadores para atuar em funções básicas dos processos produtivos, segundo Ana Maria Diniz, diretora do Instituto Península e conselheira do programa “Educação para Todos”;

b) competitividade: o Brasil ocupa o 48º. lugar entre 56 países, de acordo com pesquisa do Fórum Econômico Mundial. O que está na base desse resultado, para o diretor da Change Consultoria, Luiz Augusto Leite, é o descompasso entre a educação e o potencial das empresas, que têm de educar os jovens para o trabalho e para a vida. Ou seja, as empresas assumem muito mais que treinamento e desenvolvimento das competências técnicas: elas atuam  como educadoras de seus funcionários, desenvolvendo neles valores como cidadania, responsabilidade ambiental, cultura e qualidade de vida no trabalho;


c) talentos: o Brasil ocupa o 5º. lugar entre 42 países e territórios, segundo pesquisa anual sobre escassez de talentos do ManpowerGroup. Ou seja, está entre os países com os maiores índices de falta de profissionais qualificados: enquanto a média global é de 36%, aqui o índice atinge 63%.


Dada a relação existente entre a formação de profissionais e a utilização de tecnologias como fonte de transformação do comportamento humano, os dados acima evidenciam a complexidade do desafio para se obter a escala de inovação demandada, seja pela indústria, seja pelo mundo corporativo.


Esse é um esforço que exige de todos nós uma consciência pública muito bem estabelecida, que ajude a estimular e valorizar a integração entre pais, professores e comunidade, assim como a parceria entre as organizações e seus colaboradores. Políticas públicas para a educação só podem ser cumpridas mediante o comprometimento de todos com a formação de nossas crianças e jovens.


A começar pelas atitudes dos pais na educação dos seres humanos que geraram: o cuidado  na interação com os filhos, seu interesse e participação na vida deles, em particular na vida escolar, de forma a assegurar o desenvolvimento de indivíduos seguros de si e motivados para a vida em família, para os estudos e para o trabalho; pessoas dotadas de vontade, de disciplina, de compromisso, de paixão pelo que fazem e foco no que querem ser. Pessoas com perspectiva de futuro, interessadas em aprender sempre e incorporar esse aprendizado em seus projetos de vida.


Acima de tudo, pessoas capazes de conduzir, com êxito, suas próprias vidas, porque se espelham em pais intelectualmente fortes, emocionalmente equilibrados e capazes de agir com integridade, honradez e respeito a si mesmos, ao seu próximo e ao planeta.  


*Psicóloga e educadora, ex-reitora do Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e atual sócia diretora da Rhaizes.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Perfeccionismo e as Relações pais- filhos

               
Por Alzira J. M. Almeida*

Na visão dos jovens o perfeccionismo significa temor. É uma fonte geradora de conflitos por exigir das pessoas aquilo que não podem ser, por não corresponderem ao papel que delas esperam os pais, as instituições e a sociedade. Nas suas palavras, é uma luta travada entre o que “sou” e o que “não posso ser”. 

Estamos vivendo em uma sociedade regida pelo desempenho perfeito. E, nela, eventualmente, estamos sujeitos a apresentar um comportamento perfeccionista, seja pelo medo de falhar, seja pelas cobranças constantes por resultados.

Mas quando as dúvidas a respeito da qualidade do trabalho e do desempenho são frequentes, com rigidez e prudência excessivas a ponto de prejudicar a pontualidade e a eficiência, o perfeccionismo se torna uma disfunção.

Nas últimas décadas diversas investigações têm confirmado a hipótese de que  a origem do perfeccionismo está relacionada a uma "vinculação problemática" nas relações pais-filho e suas consequentes interações. Por vinculação entende-se a tendência das pessoas para estabelecer ligações afetivas com outras.

Mais recentemente, alguns autores defenderam que pais acessíveis são o único meio capaz de produzir sentimentos de segurança na criança.

Uma pesquisa com estudantes universitários revelou que o perfeccionismo em seu aspecto adaptativo se relaciona a uma vinculação segura, enquanto o perfeccionismo mal-adaptativo está associado a uma vinculação insegura.

A vinculação segura surge quando os pais são emocionalmente acessíveis e carinhosos com os seus filhos. Este tipo de vinculação fornece uma sensação de conforto e previsibilidade, encorajando a abordagem de novos desafios interpessoais e desenvolvimentais.

A vinculação insegura resulta de relações pais-criança imprevisíveis, severas e instáveis. Durante o estudo, os autores verificaram entre os adolescentes que relataram que seus pais frequentemente faziam comentários críticos e humilhantes a seu respeito ou esperavam que se destacassem em todos os aspectos das suas vidas, tinham fortes preocupações acerca de um potencial abandono, apresentando, também, desconforto em aproximar-se dos outros.

Ainda neste estudo, constatou-se que a vinculação insegura se encontrava diretamente associada a uma baixa autoestima, a atitudes disfuncionais e a um estilo em que as relações com os pais são diferentes quanto ao gênero dos adolescentes. As adolescentes demonstraram ser mais sensíveis aos efeitos da percepção de uma relação difícil com os pais.

As crianças com vinculações inseguras têm dificuldades em gerir desafios próprios do desenvolvimento e experimentam uma grande diversidade de problemas de ajustamento pessoais e interpessoais. Elas fazem generalizações acerca de si mesmos e dos outros com base nas experiências negativas com os prestadores de cuidados e parceiros íntimos. Daí desenvolvem distorções cognitivas que reforçam a dificuldade de estabelecerem vínculos duradouros e sintomatologia depressiva.

Partindo, então, de que a ideia de ser perfeito é influenciada por experiências precoces vivenciadas no ambiente familiar, é recomendável, do ponto de vista educacional, ajudar o indivíduo a aprender sobre o perfeccionismo e a fortalecer as dimensões adaptativas deste traço de personalidade. Aprender a aceitar que as coisas são imperfeitas e que errar e perder faz parte da vida.

No caso do perfeccionismo mal-adaptativo, a resistência à mudança se deve ao fato de requerer mudanças profundas nas percepções sobre o eu e os outros, o que, por sua vez, requer mudanças fundamentais nas experiências relacionais.

Ampliar a consciência de si e perceber quais características deve abandonar e quais deve fortalecer para enfrentar bem as tarefas e desafios do dia a dia é um exercício fundamental no caminho para o amadurecimento.

*Psicóloga e educadora, ex-reitora do Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e atual sócia diretora da Rhaizes.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

De onde vem a confiança dos jovens em si mesmos?

Por Alzira J. M. Almeida*

“Jovens vazios de história de vida, vazios de sonhos, conectados com o mundo menos com eles próprios. Jovens que não se localizam no mundo”.

Essa descrição de uma professora da rede estadual/MG traduz, com muita precisão, o que temos ouvido, recorrentemente, dos professores de todos os níveis de ensino e dos profissionais de empresas que recebem universitários, seja para visitas técnicas ou estágios.  

Tais relatos vêem sempre acompanhados, claro, da pergunta: como entender esse modo de ser e de comportar-se das crianças e jovens?

Primeiramente é preciso considerar que qualquer que seja o nível de ensino ou modalidade de curso escolhida, há a necessidade de conhecimentos básicos, habilidades para resolver problemas e motivação. O jovem intrinsecamente motivado é curioso, persistente e disposto a assumir riscos, e aprende continuamente novos conhecimentos e habilidades.

É capaz de encontrar novas oportunidades ou criar as suas próprias nesse contexto de mudanças em que muitas carreiras desaparecem ou se desdobram em novas atividades ocupacionais. Ele vê sentido em tudo o que faz.

Motivação é o mais crucial desses três objetivos educacionais e sua ausência deve ser compreendida do ponto de vista da aprendizagem como resultado da conjunção de uma série de fatores, os quais envolvem o aluno e o seu ambiente familiar, social e escolar. Trata-se de um objetivo que se relaciona diretamente com os recursos pessoais da criança e do jovem mesclados com suas possibilidades sócio-afetivas.

A motivação tem a ver com a maneira como eles se constroem nas relações de poder e de saberes da família: sua  estrutura pessoal, a dinâmica familiar, o ambiente afetivo, a condição econômica e cultural.

É à família que cabe oferecer a melhor e mais valiosa educação no sentido de criar condições para que os filhos realizem, ao longo de suas vidas, o melhor de si mesmos.  A confiança dos pais na capacidade dos filhos de realizar pequenas tarefas, as atitudes de valorização diante de seus acertos e de respeito diante de seus erros fazem da família um ponto de referência seguro para a construção de uma auto estima positiva.

Essa capacidade de estabelecer com os filhos uma interação afetiva na qual possam aprender sobre seu valor, sua capacidade de realização, e desenvolver sentimentos positivos sobre si mesmos é vital na construção de sua autoconfiança. Quanto mais a criança e o jovem acreditam em si mesmos, no que podem fazer, mais se sentem estimulados a fazer o melhor. Ao acreditarem na sua capacidade de obter êxito, aí, sim, passam a utilizar o esforço, principal indicador de motivação.

Os sentimentos do adolescente de que pode aprender, de que consegue ir adiante, assim como os significados que constrói, são resultantes das interações que ele estabeleceu e continua estabelecendo em seu contexto sócio-afetivo: a importância que tem para a família, o quanto ela o respeita e quer bem.

Oferecer ao filho oportunidade de experimentar suas capacidades, de desenvolver-se, sem superproteção, sem pressão e cobranças inadequadas, sem comparações, sem usar de ironias e zombarias, significa responsabilidade e comprometimento dos pais com sua educação. Significa, sobretudo, atenção às necessidades do filho, interesse pela sua forma de pensar e aprender, interesse por sua vida e por seu futuro.

As práticas instaladas nas relações entre pais e filhos podem contribuir para o desenvolvimento de muitas das habilidades emocionais, de maneira natural e tranqüila, nas diversas situações em que as crianças e adolescentes incorrem em desrespeito, descontrole, desorganização, falta de cuidado com seus pertences, desde que os pais lhes dêem a devida atenção.   

A identificação precoce da ausência de motivação para a aprendizagem pode ser de muita ajuda na indicação de atitudes positivas para superá-la. A atuação conjunta da escola e da família é decisiva.

Levar o educando a querer aprender é o desafio primeiro do trabalho escolar, e dele depende todas as demais iniciativas. Ter como objeto de preocupação o querer aprender coloca em pauta a continuidade entre a educação familiar e a escolar, buscando formas de conseguir a adesão da família para a sua tarefa de desenvolver nos educandos atitudes positivas e duradouras em relação ao aprender e ao educar.

Juntas podem encorajar as crianças e adolescentes a encontrarem suas próprias soluções para os problemas e levantarem questionamentos acerca dos conteúdos que os ajudem a   associá-los às situações concretas de vida. As relações entre professor-aluno, aluno-aluno, professor-aluno-família e demais participantes do processo educativo devem ser de proximidade, baseadas em um diálogo intenso, aberto e interessado o suficiente para permitir as trocas afetivas favoráveis aos resultados do processo ensino-aprendizagem.

Com isso se quer dizer que a motivação é hoje um “problema de ponta” em educação. Sua ausência influi diretamente na satisfação das necessidades básicas de aprendizagem e, obviamente, no progresso pessoal e social das crianças, jovens e adultos.

Ao inibir a aprendizagem dos conhecimentos básicos e dos comportamentos sócio-afetivos e morais repercute nos níveis superiores de educação e de ensino, interferindo no pleno desenvolvimento das potencialidades dos estudantes, na sua capacidade de viver e trabalhar com dignidade, de participar do desenvolvimento da sociedade, de tomar decisões fundamentadas e continuar aprendendo.

Nestes termos, é urgente que família e escola se unam para formar indivíduos de caráter forte, cidadãos responsáveis e profissionalmente competentes. Formar, acima de tudo, pessoas seguras de si e felizes por serem quem são.  

* Psicóloga e educadora, ex-reitora do Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e atual sócia diretora da Rhaizes. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Os jovens querem discutir seu futuro profissional

















A Agenda Juventude Brasil 2013, pesquisa coordenada pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), apresenta dados relevantes sobre o perfil e a opinião dos jovens brasileiros de 15 a 19 anos. De um universo correspondente a 26,1% do total da população brasileira (Censo 2010-IBGE), 38% dos pesquisados possuem Ensino Médio completo, 53% trabalham e, destes, 40% só trabalham e 14% trabalham e estudam.

Mas o que chama realmente a atenção, nessa pesquisa, é que 91% acreditam na sua força para mudar o mundo. Em consonância com essa convicção, a educação e o futuro profissional aparece em 1º. lugar como o assunto que gostariam de discutir com os pais ou responsáveis, com a sociedade e os amigos, e, entre os temas de maior interesse e preocupação, emprego-profissão só perde para o da segurança.

O que se pode extrair desses dados para o trabalho com jovens?

1º. A crença na sua capacidade transformadora significa que valorizam a própria identidade, ponto de partida para a construção de um projeto de futuro. Querem debater a sua vida em sociedade para criar melhores alternativas de vida e de convivência e para, por meio de um constante processo reflexivo, assumir-se como sujeitos que acreditam em si mesmos.

Os jovens apóiam-se no valor dado à colaboração entre as pessoas e à sua capacidade de se organizarem dentro de suas realidades. Para eles, é a partir do envolvimento das pessoas, num processo colaborativo, que a transformação acontece:  no trabalho de curto prazo, feito nos horários livres; na total liberdade para encontrar soluções, com ideias que preferencialmente não envolvam dinheiro; e na diversão, se possível, ao lado de amigos. Ao aliar esses três valores, esses jovens são capazes de traçar um caminho de mudança como se estivessem numa situação de lazer.

Seu foco é o mundo à sua volta, a realidade mais próxima. Eles têm a iniciativa e a habilidade de partilhar suas tarefas, chamando os amigos, os vizinhos e os colegas para seus projetos. São ágeis, querem resultados concretos e consistentes, obtidos por meio do trabalho em grupo.

2º. Eles querem assumir pessoalmente seu processo de mudança e traçar um caminho alternativo, inventar seus próprios caminhos com base em conceitos inovadores de trabalho, convivência e prosperidade. Querem a oportunidade de ser ouvidos, discutir e partilhar com os pais, amigos e sociedade as soluções para os seus sonhos e desafios. Isso quer dizer que valorizam a integração e o diálogo entre diferentes frentes de pensamento, enxergando nuances de possibilidades no lugar de pensamentos cristalizados e extremados.

Não posicionam suas crenças e valores de forma rígida e polarizada.“Eu não acredito numa ruptura do pensamento. Eu acredito mais no pensamento que está sempre se modificando gradualmente. Não vem como um choque, vem aos poucos. E quando você  olha lá na frente, vê que algo mudou.”

Assuntos que antes não eram debatidos ganham importância para eles. A partir dessa lógica, questões sociais, ambientais e culturais ganham tanta importância quanto as políticas e econômicas. Estão agindo de maneira propositiva na busca de seus direitos por melhor qualidade de educação, saúde, transporte, de convivência nos espaços públicos e privados. As ações que realizam no dia a dia vão impulsionando “múltiplas revoluções silenciosas” que transformam o mundo de forma lenta, gradual e positiva.“Eles são protagonistas de microações que transformam o cotidiano em diferentes culturas e localidades”, de acordo com Luiz Algarra, consultor em inovação e fundador da Papagallis, empresa focada em conhecimento coletivo.

Os heróis do cotidiano que atuam lenta e continuadamente, servem-lhes de inspiração dentro de seus ciclos de relacionamentos e amizades.

Tendo compreendido tais características, o melhor que nós pais, educadores, psicólogos, orientadores, temos a oferecer a esses jovens é o suporte para que transformem a experiência vivida em experiência refletida. O aprendizado decorrente dessa ação reflexiva vai alicerçar seus interesses e perspectivas de futuro. Mais do que isso, vai converter-se em um projeto para suas vidas, um projeto pelo qual vale a pena lutar. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A Equipe Interprofissional em Foco

Pesquisadora e Professora da UNIFESP,  Dra. Stella Peccin  afirma que o diálogo entre as diferentes profissões e profissionais é essencial na atenção à saúde.

Muito se tem discutido sobre o trabalho integrado de uma equipe multiprofissional na área da saúde, com o propósito de melhorar a qualidade da atuação dos diferentes profissionais que dela fazem parte, com consequentes benefícios para os pacientes ou usuários dos serviços. A Rhaizes se propôs a discutir com a fisioterapeuta Prof. Dra. Stella Peccin como esses profissionais podem funcionar em favor da atenção individual e coletiva e, sobretudo, contribuir para a implantação de uma postura de assistência mais humanizada.



O que mais afeta o trabalho da equipe interprofissional?


Nenhum fator interfere tanto quanto a falta da compreensão do que vem a ser um trabalho em equipe, em que todos devem compartilhar seus saberes específicos em prol de um bem maior. E numa equipe pode-se ter lideranças com respeito mútuo, com direito a voz e ações compartilhadas.

São responsabilidades que se complementam para integralizar o cuidado com o paciente?
Sem dúvida, o objetivo maior é a integralização do cuidado, o paciente visto como um todo e, desta forma, todas as profissões e profissionais são importantes e têm um desempenho orientado por valores similares.

Quais são os ganhos para o paciente quando os profissionais das áreas envolvidas no seu cuidado cumprem os respectivos papéis?


O grande ganho é o melhor resultado num menor espaço de tempo possível: dialogamos, operacionalizamos as nossas intervenções, documentamos nossos casos, intervimos de acordo com as melhores evidências disponíveis para a tomada de decisão nas diferentes áreas profissionais. Desta forma, buscamos tratamento mais efetivo (no seu aspecto biopsicosocial), com menor risco de complicações e menores custos.

Para a equipe interprofissional, qual é a importância de não se ter um chefe?

Acredito que seja necessário todos compartilharem objetivos, metas e responsabilidades, em sintonia e total colaboração uns com os outros. Pode ser necessário um líder para organizar melhor as atividades, mas de forma compartilhada e não “onde um manda e outros obedecem".

A qualidade da relação entre as diferentes profissões e profissionais contribui para a qualidade do atendimento nos planos da promoção, prevenção e tratamento?

Como a equipe é constituída por profissionais com diferentes níveis de formação/qualificação, o diálogo às vezes se torna difícil e há maior facilidade de haver chefe e subalternos. Dialogar, trocar informações em prol de um conhecimento sólido a respeito de uma determinada situação, faz com que haja um maior entendimento do caso e uma parceria mais efetiva em prol de um atendimento mais eficiente, no que diz respeito à promoção, prevenção e tratamento.

Que atitudes você destacaria como de maior valor para os profissionais de saúde?
Ser competente naquilo que faz, saber trabalhar em equipe respeitando a todos como a si mesmo (inclusive o paciente/cliente), estar aberto a mudanças e a novos conhecimentos e ter equilíbrio emocional para enfrentar as diferentes situações que a profissão nos apresenta no dia a dia.

Uma mensagem para os profissionais de saúde em início de carreira.

Sejamos humildes para aprender o novo e sábios para entender que há muitas informações sendo transmitidas a cada minuto, que precisamos ser críticos em nossas escolhas e seguros nas nossas tomadas de decisão. Aquele que acredita saber tudo, que não está aberto ao novo, que não sabe compartilhar, para no tempo. Invista o máximo na sua formação pessoal e profissional sempre, seja proativo, não culpe os outros pelo que você é hoje. Lembre-se sempre da sábia frase de Pasteur "a distância entre o possível e o impossível é medida pela vontade do homem".